quarta-feira, 30 de maio de 2012


Psicologia do Esporte
    O Esporte e a psicologia começaram a ter uma relação mais profunda no final do século XIX, quando os pesquisadores começaram a se aprofundar nos aspectos psicofisiológicos sobre as atividades físicas e esportistas (GOULARD, 2003).
Com os avanços de novas pesquisas proporcionaram à psicologia do esporte o suporte necessário para atuar no cenário esportivo competitivo tendo como objetivo auxiliar técnicos e atletas nas dificuldades psicológicas e sociais, a fim de encontrar segurança e autoconfiança trazendo melhor rendimento nas competições (RUBIO, 2000).
       A psicologia do esporte é uma ciência que estuda as condutas e os processos psicológicos de atletas, ela persiste em conhecer e melhorar as condições internas do praticante esportivo, com propósito de aperfeiçoar o potencial físico, técnico e tático, adquiridos durante processo de preparação. Segundo o objetivo e meta do treinamento psicológico é a modificação dos processos e estados psíquicos, portanto estão ligados à obtenção do mais alto nível de preparação psicológica para as atividades (CARBALLIDO, 2001).
A aplicação das técnicas que a psicologia do esporte disponibiliza aos atletas e treinadores para desenvolver sistematicamente o máximo de rendimento, se volta a um objetivo comum, porém dificilmente são empregadas corretamente, com característica científica. A função psicoeducativa dessas técnicas é buscar tornar possível e tangível a integração mente-corpo por meio da aquisição de habilidades psicológicas. A importância da preparação psicológica está em acelerar os processos naturais de desenvolvimento das qualidades psíquicas e propriedades da personalidade mais relevantes aos esportistas (BURIT, 2001)
Ansiedade pré-competitiva em atletas de Lutas.
O estresse e a ansiedade tem sido a causa de muitos transtornos psicológicos em atletas de lutas,  quando em período de competição o competidor entra na disputa, podendo ter cargas maiores de estresse e ansiedade, principalmente pouco tempo antes de encarar o adversário, trazendo problemas psicológicos.
    Mas poucos são os estudos que analisam esse tema focado nos esportes de combate. A pesquisa da qual se trata este artigo, se torna relevante pelo propósito de abordar o tema de forma geral e especificamente em atletas que praticam esportes de combate. Foram utilizados estudos sobre psicologia do esporte como referência para verificar como funciona a ansiedade pré-competitiva.
    Reconhecendo todo o processo psicológico a que a maioria dos atletas é submetida antes de competir, podemos analisar com clareza os benefícios que a ansiedade pode trazer se for moderada e auxiliar na compreensão por parte do atleta, mostrando os malefícios que ela causa. Sendo assim, a partir do entendimento é possível conseguir um autocontrole através de treinamentos específicos, utilizando esse estado emocional para impulsionar o competidor.
O elemento cognitivo é associado a emoções negativas sobre o rendimento esperado, como preocupação. Segundo Martens (1983, p.38) a ansiedade cognitiva e a autoconfiança representam fins opostos de uma avaliação cognitiva, sendo a ansiedade cognitiva vista como falta de autoconfiança. Martens (1990) entende que o rendimento cai quando a ansiedade cognitiva aumenta, produzindo efeitos negativos nas atividades esportivas que requerem maior concentração, estratégia e agilidade psicomotora.
 Gould (1982), analisou a ansiedade no contexto esportivo e concluiu que é um dos fatores mais importantes com que se confrontam investigadores no comando da psicologia esportiva. Os complexos objetivos dos esportistas profissionais, segundo, implicam na vitória, muitas vezes estabelecida pelo ego e suas motivações podem se basear na realização de uma satisfação narcisista. Algumas vezes, a busca desses objetivos pode ser considerada como uma estrategia adaptativa para combater uma situação de ansiedade determinada por um ego carente de autoafirmação.
  A ansiedade pré-competitiva é decorrência de um desequilíbrio entre a percepção das habilidades e as demandas do ambiente esportivo. Quando estas demandas estão equilibradas com as capacidades, esta experiência de agitação é saudável e benéfica para o desempenho do atleta na competição. No entanto, se as habilidades do competidor extrapolarem os desafios da luta, sua excitação decresce, resultando em ausência de motivação.
 Mas nem sempre a ansiedade induz a desempenhos ruins. Na verdade, pode ser um sinal de que o atleta está preparado para competir, que está no nível mental da excitação positiva. Se o esportista tem pensamentos duvidosos sobre suas habilidades ou foca em sua mente fatores que estão além do seu controle, isso é sinal de que está passando do estado de excitação positiva para o de ansiedade negativa. Se ele está nervoso, mas ainda assim confia em suas habilidades, é sinal de que está preparado para enfrentar o oponente, sem influências psicológicas no seu desempenho.
Os fatores psicológicos que enfrenta o atleta do esporte de combate podem afetar seu rendimento, quer seja no processo de treinamento ou competição. O atleta de combate está exposto a esses fatores de ansiedade, pela ânsia de testar-se e enfrentar-se em contato direto outro adversário. O atleta deve estar preparado psicologicamente para suportar inteligentemente a agressão de seu oponente, fazendo com que a ansiedade de ter que aplicar golpes, não atrapalhe no seu desempenho da luta.


Preparação Psicológica
O termo preparação psicológica se refere à totalidade dos métodos, medidas e meios que influenciam direta ou indiretamente os esportistas, fortalecendo suas reações, qualidades e atitudes necessárias para o treinamento bem orientado.
O trabalho de preparação psicológica atua com base na conscientização da mente pelo controle das emoções e é a área mais complexa do Treinamento Desportivo, pois o atleta será treinado para reagir positivamente aos estímulos psicológicos que surgirão, por vezes de modo imprevisto, nas situações de treinamento e competição.
Todo programa de treinamento objetivando melhorar o nível de desempenho de atletas precisa incluir o treinamento de variáveis psicológicas. O atleta de elite sem preparação psicológica adequada, que lhe permita comportar-se bem sob pressão, competir com dor, ter persistência, ter sentimentos positivos, concentrar-se, sentir-se confiante e tranquilo, terá poucas chances de alcançar bons desempenhos.
Atualmente, nas competições de alto nível, as habilidades esportivas de diferentes lutadores praticamente se igualam, tendo seu diferencial na preparação psicológica de cada atleta. Cientes dessas informações, podemos afirmar que os atletas de modalidades de combate precisam mais do que alto nível de treinamento físico e técnico-tático, necessitando estar bem preparados, também, psicologicamente.

REFERENCIAS
WEIMBERG RS, GOULD D. Psycologie du sport et de l’activité psyque, Paris: Vigot, 1997.
MARTENS, R, VEALEY RS, BURTON D. Comparative anxiety in sport. Chapaign: Human Kinetcs Publisher, 1990
GOULD D, ECLUND RC, JACKSON AS. 1988 US Olympic Westring excellence; I. Mental preparation, precompetitive cognition and affect. Sport Psychologist 1992; 358-362.

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