Psicologia do Esporte
O Esporte e a psicologia começaram a ter uma relação mais profunda no final do
século XIX, quando os pesquisadores começaram a se aprofundar nos aspectos
psicofisiológicos sobre as atividades físicas e esportistas (GOULARD, 2003).
Com os avanços de novas pesquisas
proporcionaram à psicologia do esporte o suporte necessário para atuar no
cenário esportivo competitivo tendo como objetivo auxiliar técnicos e atletas
nas dificuldades psicológicas e sociais, a fim de encontrar segurança e
autoconfiança trazendo melhor rendimento nas competições (RUBIO, 2000).
A psicologia do esporte é uma ciência que estuda as condutas e os
processos psicológicos de atletas, ela persiste em conhecer e melhorar as
condições internas do praticante esportivo, com propósito de aperfeiçoar o
potencial físico, técnico e tático, adquiridos durante processo de preparação.
Segundo o objetivo e meta do treinamento psicológico é a modificação dos
processos e estados psíquicos, portanto estão ligados à obtenção do mais alto
nível de preparação psicológica para as atividades
(CARBALLIDO, 2001).
A aplicação das
técnicas que a psicologia do esporte disponibiliza aos atletas e treinadores
para desenvolver sistematicamente o máximo de rendimento, se volta a um
objetivo comum, porém dificilmente são empregadas corretamente, com
característica científica. A função psicoeducativa dessas técnicas é buscar
tornar possível e tangível a integração mente-corpo por meio da aquisição de
habilidades psicológicas. A importância da preparação psicológica está em
acelerar os processos naturais de desenvolvimento das qualidades psíquicas e
propriedades da personalidade mais relevantes aos esportistas (BURIT, 2001)
Ansiedade
pré-competitiva em atletas de Lutas.
O
estresse e a ansiedade tem sido a causa de muitos transtornos psicológicos em
atletas de lutas, quando em período de
competição o competidor entra na disputa, podendo ter cargas maiores de
estresse e ansiedade, principalmente pouco tempo antes de encarar o adversário,
trazendo problemas psicológicos.
Mas
poucos são os estudos que analisam esse tema focado nos esportes de combate. A
pesquisa da qual se trata este artigo, se torna relevante pelo propósito de
abordar o tema de forma geral e especificamente em atletas que praticam
esportes de combate. Foram utilizados estudos sobre psicologia do esporte como
referência para verificar como funciona a ansiedade pré-competitiva.
Reconhecendo todo o processo psicológico a que a maioria dos atletas é submetida
antes de competir, podemos analisar com clareza os benefícios que a ansiedade
pode trazer se for moderada e auxiliar na compreensão por parte do atleta,
mostrando os malefícios que ela causa. Sendo assim, a partir do entendimento é
possível conseguir um autocontrole através de treinamentos específicos,
utilizando esse estado emocional para impulsionar o competidor.
O elemento cognitivo é associado a emoções negativas sobre o
rendimento esperado, como preocupação. Segundo Martens (1983, p.38) a ansiedade
cognitiva e a autoconfiança representam fins opostos de uma avaliação
cognitiva, sendo a ansiedade cognitiva vista como falta de autoconfiança.
Martens (1990) entende que o rendimento cai quando a ansiedade cognitiva
aumenta, produzindo efeitos negativos nas atividades esportivas que requerem
maior concentração, estratégia e agilidade psicomotora.
Gould (1982),
analisou a ansiedade no contexto esportivo e concluiu que é um dos fatores mais
importantes com que se confrontam investigadores no comando da psicologia
esportiva. Os complexos objetivos dos esportistas profissionais, segundo,
implicam na vitória, muitas vezes estabelecida pelo ego e suas motivações podem
se basear na realização de uma satisfação narcisista. Algumas vezes, a busca
desses objetivos pode ser considerada como uma estrategia adaptativa para
combater uma situação de ansiedade determinada por um ego carente de
autoafirmação.
A ansiedade pré-competitiva é decorrência de um desequilíbrio entre a percepção
das habilidades e as demandas do ambiente esportivo. Quando estas demandas
estão equilibradas com as capacidades, esta experiência de agitação é saudável
e benéfica para o desempenho do atleta na competição. No entanto, se as
habilidades do competidor extrapolarem os desafios da luta, sua excitação
decresce, resultando em ausência de motivação.
Mas
nem sempre a ansiedade induz a desempenhos ruins. Na verdade, pode ser um sinal
de que o atleta está preparado para competir, que está no nível mental da
excitação positiva. Se o esportista tem pensamentos duvidosos sobre suas
habilidades ou foca em sua mente fatores que estão além do seu controle, isso é
sinal de que está passando do estado de excitação positiva para o de ansiedade
negativa. Se ele está nervoso, mas ainda assim confia em suas habilidades, é
sinal de que está preparado para enfrentar o oponente, sem influências
psicológicas no seu desempenho.
Os fatores psicológicos que enfrenta o atleta do esporte de
combate podem afetar seu rendimento, quer seja no processo de treinamento ou
competição. O atleta de combate está exposto a esses fatores de ansiedade, pela
ânsia de testar-se e enfrentar-se em contato direto outro adversário. O atleta
deve estar preparado psicologicamente para suportar inteligentemente a agressão
de seu oponente, fazendo com que a ansiedade de ter que aplicar golpes, não
atrapalhe no seu desempenho da luta.
Preparação Psicológica
O termo
preparação psicológica se refere à totalidade dos métodos, medidas e meios que
influenciam direta ou indiretamente os esportistas, fortalecendo suas reações,
qualidades e atitudes necessárias para o treinamento bem orientado.
O
trabalho de preparação psicológica atua com base na conscientização da mente
pelo controle das emoções e é a área mais complexa do Treinamento Desportivo,
pois o atleta será treinado para reagir positivamente aos estímulos
psicológicos que surgirão, por vezes de modo imprevisto, nas situações de
treinamento e competição.
Todo
programa de treinamento objetivando melhorar o nível de desempenho de atletas
precisa incluir o treinamento de variáveis psicológicas. O atleta de elite sem
preparação psicológica adequada, que lhe permita comportar-se bem sob pressão,
competir com dor, ter persistência, ter sentimentos positivos, concentrar-se,
sentir-se confiante e tranquilo, terá poucas chances de alcançar bons
desempenhos.
Atualmente,
nas competições de alto nível, as habilidades esportivas de diferentes
lutadores praticamente se igualam, tendo seu diferencial na preparação
psicológica de cada atleta. Cientes dessas informações, podemos afirmar que os
atletas de modalidades de combate precisam mais do que alto nível de
treinamento físico e técnico-tático, necessitando estar bem preparados, também,
psicologicamente.
REFERENCIAS
WEIMBERG RS, GOULD D. Psycologie
du sport et de l’activité psyque, Paris: Vigot, 1997.
MARTENS, R, VEALEY RS, BURTON D. Comparative
anxiety in sport. Chapaign:
Human Kinetcs Publisher, 1990
GOULD D, ECLUND RC, JACKSON AS. 1988 US Olympic Westring excellence; I.
Mental preparation, precompetitive cognition and affect. Sport Psychologist 1992; 358-362.
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